domingo, 3 de outubro de 2010

Mba'erama

Este blog não é somente sobre índios, é sobre a história do Brasil. É também pessoal, e portanto hoje abro um parênteses para deixar minha opinião e um protesto sobre a atual situação política e eleitoreira do país. Dedico este texto aos cidadãos da classe média paulistana.

Pois é, colegas. Podemos constatar que o candidato Plínio não ganhou as eleições. Mas ele não ganhou por estar no partido socialista, ou por ter idade elevada, apresentar propostas extremas e às vezes superficialmente utópicas. Ele não ganhou porque a maioria das pessoas reconhece que fazer a coisa certa é muito difícil. Ele não ganhou porque utópica é a capacidade das pessoas em fazer valer conceitos de quase 300 anos de idade como a LIBERDADE, IGUALDADE e a PROPRIEDADE (fraternidade). Ele perdeu para o MEDO e para a COVARDIA das pessoas. Sim, para o medo. Você, burguês elitista que tem como metas exclusivas de vida acumular e gastar. Você que é um poço sem fundo de ego transbordante, você é um bunda mole covarde e medroso, pois teme que um dia, teus filhos engomados caminhem lado a lado com pretos, pobres, nordestinos, favelados, paraibanos, baianos que graças a um regime igual e fraterno, poderiam viver uma vida digna próxima das tuas crias infectadas com tuas chagas do individualismo. Você, da classe média econômica e da classe medíocre de caráter, tem medo desses pretos, pobres, nordestinos, favelados, paraibanos e baianos disputando lado a lado uma vaga nas universidades com tuas crias. Pior do que isso, você tem nojo. Você é um pedaço de carne que fede preconceito e ganância, prefere o que considera belo e habilitado independente de quanto fedor, podridão, incompetência, injustiça, apego material e falta de caráter ele exale. Você tem MEDO DA IGUALDADE.

Ninguém ganha nas eleições. Mas o que se perde é a oportunidade de dar um tapa ardido na cara de banqueiros, líderes mundias, individualistas gananciosos defensores desse sistema podre e desigual. Perde-se a oportunidade de fazer o mundo tremer, de gritar na cara de quem precisa ouvir. Mas você não quer fazer o mundo tremer, pois você é um bunda mole covarde e medroso e está satisfeito com a estabilidade do teu chão ancorado na ilusão dos excessos. Não se trata de impedir a possibilidade de alguém crescer economicamente, mas de garantir uma base mínima e digna para todos sem exceção. Mas você, burguês elitista, você tem medo. No momento crítico, onde só há ou sim ou não, você treme e suja as calças ao imaginar o pobre de hoje convivendo dignamente com teus familiares do futuro. Você é fraco, preconceituoso e tem medo da igualdade.

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